A tecnologia e a ciência, em princípio, são neutras. Podem tanto serem usadas para fazer o bem, quanto para criar problemas. Vejamos o caso da engenharia genética - que tem sido um assunto recorrente neste blog. Ela é vista, por quem está empenhada em seu desenvolvimento, como um meio de melhorar as terapias hoje existentes, permitindo a cura de doenças, que poderão ser atacadas de maneira individual.
Uma das consequências da genética, dizem os que defendem seu estudo, é a possibilidade de tornar o homem mais saudável e, com isso, mais longevo. Em torno do assunto existe muito mais hype - propaganda - do que sucesso efetivo. Mas as perspectivas são mesmo boas e podem levar a conquistas interessantes na área de saúde humana e, ainda, na de produção de alimentos, para falar de apenas duas delas.
Mas será que há um outro lado? Sim, há. Graças aos testes já desenvolvidos com base na engenharia genética é possível saber, por exemplo, se você tem disposição para o câncer de pulmão. E quando descobrirem isso, os dados podem tanto ser usados em seu favor, no caso de um tratamento prévio, quanto contra você, impedindo que seja contratado para uma determinada função devido ao seu perfil genético.
Queiramos ou não, isso pode acontecer. Um bom exemplo é a informação de que empresários do futebol europeu estão procurando cientistas genéticos para, a partir das descobertas já feitas, testar garotos que teriam maior aptidão para a prática do tradicional esporte bretão. O que buscam é descobrir, logo cedo, os craques em potencial, investindo neles e, no futuro, fazendo muito dinheiro.
É possível? Sim, é. Há indicativos, mas eles não são uma certeza. Para comprová-los os testes teriam de ser feitos. Se há testes para quem pode ser um futuro craque, que outros tipos de testes teremos? A possibilidade é que tenhamos tanto quantos as pessoas quiserem, desde a indicação de sua ascentralidade à predisposição para doenças, para a concepção, etc.
Com o avanço das pesquisas genéticas, que são reais, podemos dizer que o céu é o limite. Podemos, inclusive, chegar ao Admirável Mundo Novo, com crianças sendo “fabricadas” de acordo com a exigência e o desejo dos pais. O que me assusta, nisso tudo, é que no final teremos, novamente, um grande número de excluídos. E a exclusão se dará não com base em preconceito, mas baseado em conceitos científicos.
Maio 11th, 2008 at 5:25 pm
lino, acho que no futuro leis vão ter que ser criadas p/ proteger as pessoas desse tipo de discriminação. o senado americado já aprovou uma lei desse tipo, agora só falta o sr. george bush sansionar. vc pode ler sobre isso aqui: http://veja.abril.com.br/070508/p_169.shtml
abraço e boa semana!
Maio 11th, 2008 at 3:17 pm
Fico imaginando um casal de negros chegando num consutório médico e pedindo uma criança que tenha cabelos loiros, olhos azuis… O pior é que com essa tecnologia, você pode chegar a esse ponto de escolher como seu filho vai ser.
Maio 11th, 2008 at 12:10 pm
O que antes era coisa de filme de ficção científica e para alienados, agora já começar a esboçar a realidade…
Maio 10th, 2008 at 7:51 pm
Oi Lino!
Ah, eu penso como você. Nesta semana eu ilustrei a aula de genética com o filme GATACA e esta problemática de manipulação genética. Fizemos um seminário para discutirmos as consequências como preconceito e também os benefícios. Meus alunos me surpreenderam com suas visões amadurecidas. Infelizmente teremos que pagar para ver…
Beijo!
Feliz dia das mães para as mamães da sua família!
Maio 10th, 2008 at 3:54 pm
Discordo. A exclusão se dará com base em preconceitos TAMBÉM…hehehe. Basta vermos que investimentos começaram pensando em futebol e não em algo de relevância…hehehe
Maio 9th, 2008 at 2:54 am
[...] leitura recomendadíssima é a do blog do Lino Resende, que abordou as facetas envolvidas nas pesquisas genéticas e com ela surge uma nova forma de [...]
Maio 8th, 2008 at 12:21 pm
Há coisas interessantes como as células tronco. A metáfora tronco se adequa para mostrar que estas células podem se diferenciar em “ramos” do nosso organismo. É claro que para muitos o céu é o limite…
Maio 8th, 2008 at 12:21 pm
Esse é um caminho sem volta e eu prefiro focar os beneficios como, por exemplo, a possibilidade de reprogramação genetica para evitar sindromes limitantes.
Maio 8th, 2008 at 11:38 am
A gente morre e não vê tudo, né, Lino? A realidade chegou e aqueles filmes de ficção científica, que assistimos há atrás, que mostravam a manipulação de genes e afins agora é fato.
Há que se ter muito cuidado quanto a esse assunto e o rumo que podem tomar essas pesquisas…
Bjão.